Na vitória por 3 a 2, Muslera falha duas vezes, Forlán acerta a trave no último Minuto, e Klose vê do banco a manutenção do recorde de Ronaldo Fenômeno
Com a chuva fina caindo em Porto Elizabeth e uma longa lista de conquistas no currículo, a Alemanha bem que podia ter entrado em campo disposta apenas a cumprir tabela neste sábado. Não foi bem assim. Do outro lado do campo, havia um Uruguai faminto pela vitória, e o que se viu na disputa do terceiro lugar foi um jogo de cinco gols e duas viradas. Com 3 a 2 e um travessão salvador aos 48 do segundo tempo, a Alemanha é a dona do bronze na África do Sul.
Khedira (6) corre para festejar o gol da vitória contra o Uruguai neste sábado (Foto: agência Reuters)
O meia Müller, que voltou após cumprir suspensão na semifinal, abriu o placar para os alemães, mas Cavani e Forlán viraram para o Uruguai. Jansen empatou de novo, e coube ao volante Khedira fazer o gol da vitória. O goleiro uruguaio Muslera, herói nas quartas de final contra Gana, falhou duas vezes. Forlán teve a chance de empatar o jogo no último lance, mas cobrou uma falta no travessão para, em seguida, ouvir o apito final do juiz. A partida terminou, e Klose continuava no banco, de agasalho. Sentindo dores nas costas, o atacante não entrou e manteve seus 14 gols em Copas, um a menos que o recorde de Ronaldo Fenômeno.
O resultado deste sábado no estádio Nelson Mandela Bay estica a fama do polvo Paul, que segue com aproveitamento de 100% nos palpites. Para a grande final deste domingo, às 15h30m, o molusco apostou na Espanha para derrotar a Holanda no Soccer City e se tornar a oitava seleção campeã na história dos Mundiais.
O jogo
Noite de sábado caindo, aquela chuvinha antes do jogo, disputa de terceiro lugar… apesar do cenário favorável para um jogo de compadres, a pinta de amistoso foi por terra logo aos cinco minutos, quando o alemão Aogo apresentou as travas da sua chuteira à canela de Perez. Cartão amarelo para abrir os trabalhos.
No lance seguinte, mais um, para o brasileiro Cacau, que desviou com a mão uma falta cobrada por Forlán. Apesar dos cartões, a Alemanha ensaiou seu gol aos nove. Özil bateu escanteio, e Friedrich cabeceou no travessão de Muslera, que ainda salvou a Celeste na sobra, ao defender a conclusão de Müller.
>O meia Müller pega o rebote de Muslera e empurra a bola para a rede do Uruguai (Foto: AFP)
O meia e o goleiro, aliás, escreveriam mais um capítulo juntos dez minutos depois. Antes disso, no entanto, abram alas para uma bomba de Schweinsteiger. Aos 19, o camisa se viu sozinho no meio de campo e – por que não? – soltou o foguete de pé direito. Botou a Jabulani para voar a 117km/h e, aí sim, houve o tal reencontro: Muslera bateu roupa, e Müller, sozinho, pegou o rebote para abrir o placar.
Enquanto os zagueiros levantavam os braços para pedir um impedimento que não existiu, a Alemanha festejava o 1 a 0.
Aí foi a vez de o Uruguai ensaiar seu gol. Aos 24, Forlán pegou uma sobra na área de cabeça, mas Mertesacker esticou a perna para tirar. Na cobrança do escanteio, Cavani desviou, e Friedrich tirou na pequena área.
Aos 28, não era mais preciso ensaiar. Pérez, que durante toda a Copa vestiu a fantasia de carrapato e torrou a paciência dos adversários, deu um bote em Schweinsteiger no meio de campo. Roubou-lhe a bola e, quase caindo, encontrou Suárez para puxar o contra-ataque. O passe para Cavani foi açucarado, e o atacante, na saída de Butt, balançou a rede pela primeira vez na Copa: 1 a 1.
Com tudo igual em Porto Elizabeth, a chuva cuidou de esfriar o jogo. Só aos 41 o Uruguai teve outra chance, com Suárez sozinho na área chutando para fora. Estava de bom tamanho para o primeiro tempo.
No início do segundo, voltou a fome de gols. E a virada sul-americana veio com estilo. Aos cinco, Arévalo Rios tabelou com Suárez pela direita e cruzou para Forlán, que emendou um lindo voleio no canto de Butt. Golaço.
>Diego Forlán acerta o voleio e faz um belo gol para colocar o Uruguai na frente (Foto: Getty Images)
A festa celeste só durou seis minutos, porque aos 11 Muslera entregou de novo. O goleiro saiu catando borboleta no cruzamento de Boateng, e Jansen cabeceou para o gol vazio. Tudo igual de novo, 2 a 2.
Klose continuava no banco, e de fato parecia sem condição de jogo, porque Joachim Löw foi lançando outros jogadores em campo. Primeiro foi Kiessling, que substitui Cacau. Depois, Kroos entrou no lugar de Jansen. Mas foi Khedira que decidiu. O volante estava na hora certa e no lugar certo aos 37. Após o bate-rebate na área, ele cabeceou para o fundo da rede e colocou a Alemanha na frente.
Kiessling ainda perdeu um gol incrível, sozinho no meio da área, isolando a bola por cima do travessão. Oscar Tabárez tentou sua última cartada ao lançar Loco Abreu no lugar de Cavani. Forlán teve uma chance de ouro para igualar o placar no último minuto, mas a cobrança de falta explodiu na trave. O bronze é alemão.
Fonte: G1
>Vitória por 3 a 2 em jogo emocionante garantiu vaga na decisão, contra Alemanha ou Espanha
Jogadores da Holanda comemoram gol na dura vitória sobre o Uruguai, decidida apenas nos segundos finais: com seis vitórias, time espera Alemanha ou Espanha
A Holanda está na final da Copa do Mundo pela terceira vez. Nesta terça-feira (6), a equipe repetiu o consistente futebol mostrado nas partidas anteriores, venceu o Uruguai por 3 a 2, na Cidade do Cabo, e se classificou para a decisão de domingo (11), em Johannesburgo.
O outro finalista sai nesta quarta-feira (7), na partida entre Alemanha e Espanha, marcada para as 15h30 (de Brasília), em Durban.
Além de ter conquistado a sexta vitória em seis jogos na Copa, a Holanda ainda colocou um jogador, o meia Sneijder, entre os artilheiros do Mundial: ele marcou o segundo gol da equipe e chegou a cinco, mesmo número do espanhol David Villa.
A emoção do jogo foi até os segundos finais: o Uruguai perdia por 3 a 1, mas fez o segundo gol nos acréscimos, com Maxi Pereira, e teve a chance de buscar o empate com vários chuveirinhos na área, mas não conseguiu concluir nenhuma vez.
Melhor em campo durante a maior parte do jogo, com mais posse de bola e criando as melhores jogadas, a Holanda abriu o placar aos 18min, num golaço do lateral-esquerdo Van Bronckhorst de fora da área. O Uruguai, que não tinha dois titulares importantes, o zagueiro Lugano (contundido) e o atacante Suárez (suspenso), equilibrou a partida e chegou ao empate no fim do primeiro tempo, com Forlán, também de fora da área, e pressionou para tentar a virada, mas parou na defesa da Holanda.
No intervalo, o técnico Bert van Marwijk resolveu mandar a Holanda para o ataque, trocando o volante De Zeeuw pelo meia Van der Vaart e concentrando as jogadas pelo lado direito, assim como fizera nas quartas de final, diante do Brasil.
Deu certo, mas o segundo gol saiu num lance polêmico: aos 24min, Sneijer bateu de fora da área, a bola desviou num uruguaio, passou por baixo das pernas de Van Persie, que estava impedido, e entrou. Os uruguaios reclamaram muito, mas o árbitro e o auxiliar validaram o gol.
Três minutos depois, Kuyt fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Robben marcar o terceiro gol, de cabeça. O jogo parecia definido, tanto que o técnico Oscar Tabarez tirou seu craque, Forlán, que estava esgotado. Mas o gol de Maxi Pereira reacendeu os ânimos do Uruguai, que lutou até o apito do juiz para tentar o empate. O prêmio de consolação para a Celeste Olímpica, principal surpresa das semifinais, será a disputa do terceiro lugar, no sábado (10), em Port Elizabeth.
FICHA TÉCNICA
URUGUAI 2 x 3 HOLANDA
Local: Estádio Green Point, na Cidade do Cabo (África do Sul)
Data: 6 de julho de 2010, terça-feira
Horário: 15h30 (de Brasília)
Árbitro: Ravshan Irmatov (Uzbequistão)
Assistentes: Rafael Ilyasov e Bahadyr Kochkarov (ambos do Uzbequistão)
Cartões amarelos: Maxi Pereira e Cáceres (Uruguai); Sneijder, Boulahrouz e Van Bommel (Holanda)
Gols – Uruguai: Forlán, aos 40min do primeiro tempo; Maxi Pereira, aos 46min do segundo tempo
Holanda: Van Bronckhorst, aos 18min do primeiro tempo; Sneijder, aos 24min, e Robben, aos 27min do segundo tempo.
URUGUAI: Muslera; Maxi Pereira, Godín, Victorino e Cáceres; Gargano, Arévalo Rios, Pérez e Alvaro Pereira (Loco Abreu); Forlán (Sebastian Fernandez) e Cavani
Técnico: Oscar Tabárez
HOLANDA: Stekelenburg; Boulahrouz, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel, De Zeeuw (Van der Vaart) e Sneijer; Robben (Elia), Van Persie e Kuyt
Técnico: Bert van Marwijk
Fonte: R7
A Fifa divulgou a escala dos trios de arbitragem para as duas partidas semifinais da Copa do Mundo. Ravshan Irmatov, do Uzbequistão, vai apitar o duelo entre Uruguai e Holanda, marcado para terça-feira na Cidade do Cabo. Para o jogo Alemanha x Espanha, quarta-feira em Durban, o escolhido foi o húngaro Viktor Kassai. O brasileiro Carlos Eugênio Simon foi dispensado e não conseguirá atingir o recorde de juiz com o maior número de jogos em um Mundial.
Irmatov é o árbitro que comandou a abertura da Copa do Mundo, quando África do Sul e México empataram em 1 a 1. Ele também foi o juiz do 0 a 0 entre Inglaterra e Argélia e da vitória da Argentina sobre a Grécia por 2 a 0. Será o quarto compromisso dele na competição.
Kassai, que também vai para o quarto jogo, foi quem apitou a estreia do Brasil no Mundial, a vitória de 2 a 1 sobre a Coreia do Norte. Ele também esteve na vitória do Uruguai – 1 a 0 – sobre o México e num confronto de oitavas de final, quando Gana eliminou os Estados Unidos na prorrogação.
O brasileiro Carlos Eugênio Simon, que apitou duas vezes nesta Copa, corria atrás de um recorde e de um sonho. Se fosse escalado mais uma vez – o seu desejo era estar na grande final do próximo domingo –, ele igualaria o feito do francês Joel Quinou como o juiz com mais atuações em mundiais. Quinou tem oito e Simon vai encerrar a sua carreira neste ano com sete jogos em três Copas – 2002, 2006 e 2010.
Através do Twitter, Simon agradeceu pelas mensagens de apoio e disse que agora vai aproveitar as férias para ficar com a família: “Indo embora da África, mas muito feliz de ter feito um ótimo trabalho. Agora vou curtir as férias com a família. Muito obrigado a vocês e a todos os seguidores pelas mensagens”.
A Fifa também divulgou a lista dos dez árbitros que continuam na competição. Além dos dois escalados para a semifinal, os outros oitos são: Yuichi Nishimura (Japão), Jerome Damon (África do Sul), Benito Archundia (México), Marco Antonio Rodriguez (México), Pablo Pozo (Chile), Oscar Ruiz (Colômbia), Frank de Bleeckere (Bélgica) e Howard Webb (Inglaterra).
Fonte: Globoesporte
Anúncio dos substitutos será feito até o fim deste mês; equipe joga em agosto contra os EUA
Dunga comanda a seleção contra a Holanda, na última partida dessa comissão técnica
A CBF formazilou, na tarde deste domingo, a demissão de toda a comissão técnica da seleção brasileira, encabeçada pelo técnico Dunga. Os substitutos, segundo a entidade, serão anunciados até o fim deste mês.
A decisão já era esperada, uma vez que o próprio Dunga havia afirmado, logo após a derrota para a Holanda, na última sexta-feira (2), que seu ciclio no cargo seria “de quatro anos”.
Neste domingo, no entanto, ao chegar ao Brasil, o técnico afirmou que ainda pretendia “conversar com o presidente”, em referência a Ricardo Teixeira, presidente da entidade, que só volta ao Brasil na próxima semana.
Como a declaração de Dunga deixou a impressão de que ele poderia ser mantido no cargo, a CBF decidiu antecipar o anúncio da demissão, publicando uma nota em seu site oficial para acabar com qualquer dúvida. Abaixo, a íntegra do texto:
“Encerrado o ciclo de trabalho que teve início em agosto de 2006, e que culminou com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul, a CBF comunica que está dispensada a comissão técnica da Seleção Brasileira. A nova comissão técnica será anunciada até o final deste mês de julho.”
Embora a CBF não tenha discriminado nomes em sua nota, oficialmente faziam parte da comissão técnica: o técnico, Dunga; seu auxiliar, Jorginho; o supervisor, Américo Faria; os médicos José Luís Runco e Serafim Borges; os preparadores físicos Paulo Paixão e Fábio Mahseredjian; os fisioterapeutas Luiz Alberto Rosan e Odir de Souza; o treinador de goleiros, Wendell Ramalho; o assessor de imprensa, Rodrigo Paiva; o administrador, Guilherme Ribeiro; o massagista, Denir; e os roupeiros Rogelson Barreto e Antônio Assis.
Obviamente, nem todos devem ser dispensados e alguns continuarão prestando serviços à CBF, como Rodrigo Paiva, que é diretor de comunicação da entidade e também do Comitê Organizador da Copa de 2014.
Os nomes mais cotados para treinar a seleção são Luiz Felipe Scolari, técnico campeão mundial em 2002 e que tem compromisso acertado com o Palmeiras para o segundo semestre; Ricardo Gomes, há um ano no São Paulo; e Mano Menezes, há dois anos e meio à frente do Corinthians.
A nova comissão técnica vai estrear no amistoso contra os Estados Unidos, no dia 10 de agosto, em New Jersey. A CBF já anunciou que devem ser convocados apenas jogadores que atuam no futebol brasileiro, já que os “estrangeiros” ainda estarão em pré-temporada por seus clubes.
Até o fim do ano, a seleção deve fazer outros cinco amistosos, mas os adversários e os locais dos jogos ainda não foram anunciados.
Fonte: R7
Gol de David Villa no segundo tempo coloca a Fúria nas semifinais. Paraguai está eliminado da Copa do Mundo

Por Alexandre Alliatti e Rafael Pirrho Direto de Joanesburgo, África do Sul
Só mesmo na África do Sul para uma zebra com listras vermelhas e brancas dar as caras. Só mesmo com muita insistência para ela ser abatida. A Espanha sofreu como nunca para superar o Paraguai por 1 a 0, com um gol chorado do artilheiro David Villa, neste sábado, no estádio Ellis Park, em Joanesburgo, e cravar presença nas semifinais da Copa do Mundo. O gol saiu na parte final de um segundo tempo emocionante, com pênaltis marcados, anulados e ignorados. O Paraguai, guerreiro, está eliminado. A Fúria pega a Alemanha na quarta-feira, às 15h30m (de Brasília) em Durban. Quem vencer estará no Soccer City, no dia 11, para decidir o título contra o ganhador de Holanda e Uruguai.

Com o gol, David Villa assumiu a artilharia da Copa 2010, com cinco. E chegou a 43 com a camisa da Espanha, a apenas um do recordista (Raúl). Mas foi complicado. O Paraguai, forte na defesa, vendeu com juros a classificação aos espanhois. Agora, a equipe de Vicente del Bosque tem pela frente um repeteco da final da Eurocopa de 2008, quando deu Espanha, com gol de Fernando Torres, apagado no Mundial.
Com o resultado, a Espanha de 2010, no mínimo, igualou o melhor resultado do país na história das Copas: o quarto lugar obtido no Mundial de 50. O Paraguai deixa o continente africano honrado com a a inédita participação nas quartas de final.
Paraguai amarra a Espanha no primeiro tempo
Xavi recebeu pelo meio, perto da área, deu um toquezinho na bola com a perna direita e já girou para mandar de canhota, sem deixá-la cair, em um lance com a plasticidade típica da Espanha. A bola saiu por pouco. Mas não esteve na beleza do lance seu real simbolismo. A grande questão é que ele aconteceu aos 28 minutos do período inicial. E foi o primeiro chute da Fúria na direção do gol paraguaio.
Até ali, a Fúria girou de um lado para o outro sem ir a lugar algum. É bem verdade que a campeã da Europa já viveu dias mais criativos do que na Copa 2010, mas o que complicou mesmo foi a organização defensiva do Paraguai. O técnico Gerardo Martino fez seis modificações para o duelo com a Espanha. Na defesa, no meio-campo e no ataque. A ideia, nenhuma surpresa, era dar ainda maior compactação a um time que foi a campo tendo sofrido apenas um gol em quatro jogos. Do trio ofensivo, só sobrou Valdés. Roque Santa Cruz e Lucas Barrios foram para o banco.
O curioso é que a força defensiva do Paraguai teve efeito duplo: primeiro, claro, barrou o talento espanhol; segundo, deu tranquilidade para os sul-americanos arriscarem uma ou outra escapulida ao ataque. Na frieza dos números, deu mais Paraguai do que Espanha no primeiro tempo. Os dois times arremataram quatro vez a gol. Mas a única bola que foi na meta, foi do time guarani.
Jonathan Santana, logo com um minuto, recebeu pelo meio e mandou a gol. Casillas pegou. Riveros, aos oito, cabeceou para fora. Alcaraz, aos 20, teria marcado se tivesse dois centímetros a mais. Santana, aos 34, viveu situação igual. Faltou muito pouco para alcançar a bola em cruzamento de Morel. Valdez, aos 45, recebeu de Cardozo e mandou chute cruzado, para fora. Pouco antes, aos 41, o atacante havia marcado, mas o lance foi anulado por impedimento de Cardozo bem observado pela arbitragem.
A Espanha teve o controle da bola, como costuma fazer, mas faltou infiltração. Fernando Torres começou bem e terminou mal três jogadas. Villa e Xavi não tiveram o brilho de outros jogos. E a Fúria ouviu o apito final do primeiro tempo com o sentimento de que havia algo de errado por ali.
O destino em dois (ou três, ou quatro) pênaltis
O conceito de loucura no futebol foi criado especificamente para o segundo tempo do jogo entre Espanha e Paraguai. Contam-se nos dedos de uma só mão as partidas de Copa do Mundo com acontecimentos tão estranhos quanto os da etapa final no Ellis Park. E tudo resumido em dois pênaltis. Ou em três. Ou, melhor ainda, em quatro!
O primeiro foi a favor do Paraguai. Piqué derrubou Cardozo na área aos 13 minutos. Depois das reclamações da Fúria, o próprio camisa 7, autor do último gol na disputa por penalidades máximas contra o Japão, nas oitavas de final, partiu para o tiro. E deu Casillas. O goleiro se adiantou, caiu no canto esquerdo e abafou o sonho paraguaio.
Após a defesa, a Espanha partiu para o ataque e deu o troco na mesma moeda. A diferença é que o pênalti de Alcaraz em Villa foi um tanto forçado pelo atacante, que o árbitro guatemalteco Carlos Batrez apontou. A revolta, desta vez, foi dos paraguaios. Choro em vão. Lá foi Xabi Alonso para a cobrança: bem batido, no canto, sem chances para o goleiro. O problema é que houve invasão espanhola à área. O juiz mandou a cobrança ser repetida.
Lá foi Xabi Alonso de novo para a segunda cobrança, que ali já virou terceira. E desta vez deu Villar. O goleiro caiu no canto esquerdo, espalmou a bola e, um segundo depois, atingiu as pernas de Fábregas. Pênalti claro! Melhor: pênalti em uma cobrança de pênalti! E o juizão mandou seguir…
Aí foi a vez de os espanhois quase arrancarem os cabelos – os seus e os dos árbitros. Quando o lance foi repetido no telão, os reservas quase invadiram o campo, irados. E o jogo, com quatro pênaltis, dois perdidos, um anulado e um ignorado, seguia no 0 a 0.
Virou jogão. O Paraguai pareceu sentir que era possível vencer a Espanha. A Fúria não engoliu o(s) pênalti(s) perdido(s). A partida ficou mais aberta, com arrancadas de lado a lado, com possibilidades que invariavelmente acabavam frustradas no fim. O que era morno no primeiro tempo virou fervura no segundo.
E quente mesmo é David Villa, artilheiro, oportunista, matador. Iniesta fez fila na entrada da área e mandou para Pedro, que arrematou na trave. Na sequência, foi a vez de Villa. A bola beijou (de novo!) a trave esquerda, rolou por cima da linha, tocou na trave esquerda, na direita e entrou.
Fúria enfurecida, fera ferida! A Espanha entrou em êxtase com o gol depois de tanto sofrimento.
O jogo continuou quente. Aos 43, Casillas salvou novamente a Espanha. Após soltar um chute de Lucas Barrios, o goleiro salvou com o pé esquerdo uma bomba à queima-roupa de Lucas Barrios. Na sequência, Villar defendeu conclusão de Villar.
E segurou o adversário até o apito final de um dos jogos mais malucos – e emocinantes – que uma Copa do Mundo já viu.
A Espanha vê o trem da história se aproximando dela e não quer saber de perder a carona. Não é por acaso que o jogo contra o Paraguai, neste sábado, é tratado como um dos mais importantes já vividos pela Fúria. Se vencer, faltarão duas partidas para a conquista de um inédito título mundial para uma equipe que sofre com a fama de não cumprir o que promete. Os profissionais da Roja não fogem da importância do momento. Eles abraçam a pressão e admitem o momento definitivo.
- Podemos entrar na história. Não podemos desperdiçar um momento como esse – comentou o meia Fábregas.
O zagueiro Piqué foi ainda mais direto. Para ele, poucos jogos se comparam com o deste sábado.
- É uma das partidas mais importantes da Espanha em sua história – disse ele.
A grande questão da Espanha é o sentimento de que o atual time tem uma força que pode não ser repetida no futuro. Por isso, eles querem aproveitar a Copa de 2010, sob pena de não terem oportunidade igual.
- Estamos em uma situação em que podemos fazer história. Não sabemos se teremos outra seleção assim na Copa do Mundo. Temos que aproveitar – afirmou Fábregas.
Espanha e Paraguai vão a campo às 15h30m (de Brasília), no estádio Ellis Park, em Joanesburgo. O vencedor pegará Alemanha na semifinal.
Fonte: Globoesporte
Em toda a sua preparação e durante a Copa do Mundo na África do Sul, a seleção brasileira se esforçou em adotar uma filosofia diferente da utilizada em 2006. Por ironia, o resultado foi o mesmo: derrota para uma seleção europeia e eliminação nas quartas de final. No lugar da França, o algoz foi a Holanda. E Sneijder tomou de Henry o posto de carrasco, participando do lance do primeiro gol e marcando o segundo na vitória por 2 a 1, de virada, nesta sexta-feira.
Foi ele o eleito o melhor em campo no estádio Nelson Mandela Bay, em votação popular no site da Fifa. Pelo primeiro tempo, ficou a impressão de que dificilmente o escolhido deixaria de ser um brasileiro. A seleção dominou a Holanda, marcou seu gol (com Robinho) logo no início, criou lances bonitos e foi pouco ameaçada. A partida após o intervalo, no entanto, foi outra. O Brasil falhou na defesa, seu setor mais elogiado, esteve acuado, quase não chegou ao ataque e demonstrou instabilidade emocional. E viu mais um jogador seu ser expulso na competição, depois que Felipe Melo deu um pisão em Robben.
A eliminação em Porto Elizabeth representa um duro golpe na era Dunga como técnico. A seleção vinha acumulando bons resultado – como os títulos da Copa América e da Copa das Confederações, a primeira colocação nas eliminatórias e vitórias expressivas sobre adversários de peso – mas fracassou em sua principal missão, a conquista do hexacampeonato. Os brasileiros, que receberão a Copa de 2014, voltam para casa com uma campanha de três vitórias, um empate e uma derrota.
A Holanda, que acumulou sua quinto triunfo consecutivo na Copa e agora soma 24 partidas de invencibilidade, enfrentará Gana ou Uruguai na semifinal, em partida na próxima terça-feira, às 15h30m (de Brasília), na Cidade do Cabo. E se vinga das eliminações nas edições de 1994 e 1998, as duas últimas vezes em que havia cruzado com o Brasil em Mundiais.
Brasil faz gol, marca duro e joga bonito
Conhecidas pelo estilo bonito de jogar, as seleções de Brasil e Holanda deixaram o futebol de lado nos primeiros minutos. Luis Fabiano e Van Bommel se estranharam e foram repreendidos pelo árbitro. O holandês pareceu não se intimidar, já que em seguida discutiu com Robinho. Passado esse início nervoso, no entanto, os brasileiros perceberam que teriam espaço para jogar.
A primeira pista veio com passe de Maicon, que encontrou Daniel Alves livre, mas impedido, ainda que por pouco. Já Robinho se posicionou melhor e correu sozinho no meio da zaga laranja. Recebeu passe primoroso de Felipe Melo e chutou com estilo, sem dominar a bola, superando o goleiro. Com 1 a 0 no placar logo aos dez minutos, o Brasil pôde se planejar para atuar do jeito que mais gosta: marcando duro no campo defensivo e procurando os contra-ataques.
No entanto, o estilo da Holanda, de não ir ao ataque desesperadamente, fez com que os contragolpes não viessem. Ainda assim, o Brasil produziu belas jogadas. Numa delas, Daniel Alves deu dois cortes pela ponta e cruzou para Juan chutar por cima do gol. Na mais bonita, Robinho deixou para trás dois marcadores, Luis Fabiano deu passe de letra, e Kaká chutou bem ao seu estilo, com efeito, obrigando Stekelenburg a fazer excelente defesa.
Com uma muralha à sua frente, Julio Cesar pouco trabalhou no primeiro tempo: fez duas defesas seguras em chutes de Kuyt e Sneijder. E só. O craque Robben insistiu na sua jogada preferida, de carregar a bola pela direita e cortar para a esquerda, mas foi sempre bloqueado antes do chute. A Holanda tentou invadir o terreno brasileiro recorrendo até à malandragem. Em cobrança de escanteio, Robben deu um leve toque na bola e correu para a área. Mas Daniel Alves, atento, chegou antes de qualquer adversário.
Após 19 faltas, o primeiro tempo terminou com mais uma boa jogada da seleção, em que Kaká – até então mais participativo do que em outros jogos – inverteu um lance da esquerda para a direita. Maicon chutou para defesa do goleiro.
Brasil leva gols, falha na marcação e se descontrola
Tão segura nos 45 minutos iniciais, a equipe começou vacilante na segunda etapa. Um lance displicente no primeiro minuto fez com que Felipe Melo levasse uma bronca de Lúcio. Sete minutos depois, o Brasil sofreu o empate num lance que, até esta sexta-feira, era incomum na Copa: falha da zaga, e ainda por cima numa bola aérea. Julio Cesar e Felipe Melo se chocaram, e a bola cruzada por Sneijder desviou de leve no volante antes de entrar. Foi o primeiro gol contra do Brasil na história dos Mundiais.
A igualdade no placar desestabilizou o Brasil, que ficou acuado em seu campo e viu suas tentativas de ataque esbarrar em erros de passe. Só conseguiu concluir uma jogada aos 20 minutos, quando Kaká bateu colocado, mas sem muito perigo. A Holanda, que mostrou suas fragilidades no primeiro tempo, passou a explorar as do Brasil, recorrendo ao lado direito do ataque e fazendo Michel Bastos sofrer para marcar Robben. Preocupado com o seu lateral, que já havia recebido cartão amarelo, Dunga trocou-o por Gilberto aos 16 minutos.
Seis minutos depois, a Holanda conseguiu a virada. E em outra falha da defesa. Uma cobrança de escanteio encontrou Kuyt, que, posicionado na primeira trave, desviou a bola para trás. Sneijder, com seu 1,70m, cabeceou para a rede. Mais seis minutos, e a situação piorou. Felipe Melo fez falta e em seguida deu um pisão em Robben, recebendo cartão vermelho direto.
Dunga ainda substituiu Luis Fabiano por Nilmar, mas a troca de um atacante por outro pouco ajudou a seleção, que só conseguiu levar algum perigo aos holandeses em duas cobranças seguidas de escanteio. Aos 44 minutos, veio a tentativa derradeira. Daniel Alves teve uma cobrança de falta, mas a bola explodiu na barreira. Era o fim do sonho do hexacampeonato.
Fonte: Globoesporte
Visivelmente abatido e com um tom bem mais ameno nas palavras, o técnico Dunga deixou a entender durante a entrevista coletiva oficial da Fifa que vai deixar o comando da seleção brasileira após a derrota por 2 a 1 para a Holanda, nesta sexta-feira, e a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo. O treinador falou pouco sobre o assunto, mas lembrou que foi contratado para comandar a seleção por quatro anos.
- Quanto ao meu futuro, desde que eu cheguei à seleção todo mundo já sabia que seria para ficar quatro anos – disse.
A entrevista coletiva foi bem mais rápida do que o normal e terminou com muitos jornalistas ainda querendo fazer perguntas ao técnico da seleção brasileira. Foram apenas 7m39s e somente sete perguntas, sendo que uma em inglês feita por um funcionário da Fifa. Dunga evitou encontrar um culpado pela eliminação da Copa do Mundo. O treinador foi questionado sobre a parcela de culpa de Felipe Melo, que foi expulso no segundo tempo após fazer falta e, em seguida, dar um pisão em Robben.
- Acho que a culpa é de todos nós, eu levo a maior parte. Seria injusto eu falar do Felipe. Quando ganhou, todos ganharam. Não é a primeira vez que um jogador é expulso em uma Copa do Mundo.
O treinador brasileiro reclamou da arbitragem do japonês Yuichi Nishimura.
- Jogar com um jogador a menos sempre dificulta mais. Desde o início do jogo nós comentamos que o juiz estava sendo pressionado e algumas faltas que não eram ele estava marcando. Tive que tirar o Michel Bastos porque ele deu cartão em um lance que nem falta foi. Só quem está dentro de campo é que tem uma noção melhor – disse Dunga.
Desde que assumiu a seleção após a Copa do Mundo de 2006, Dunga comandou o Brasil em 60 jogos. Foram 42 vitórias, 12 empates e seis derrotas. Neste período, o treinador conquistou a Copa América, a Copa das Confederações e terminou em primeiro lugar as Eliminatórias da Copa do Mundo.
Fonte: Globoesporte
DE SÃO PAULO
Copa 2010 O contraste entre o comportamento típico da imprensa esportiva brasileira e as restrições impostas pela Fifa na cobertura da Copa do Mundo virou assunto no “The New York Times”, o principal jornal dos Estados Unidos e um dos maiores do mundo.
O site do jornal publicou uma matéria relatando que os jornalistas brasileiros estão acostumados a ter acesso próximo aos jogadores e treinadores, o que não acontece no Mundial sul-africano.
A primeira restrição a qual o “New York Times” se refere diz respeito ao posicionamento dos jornalistas no estádio.
O jornal lembrou que os profissionais de rádio e TV podem ficar à beira do gramado no Brasil, o que lhes permite conseguir declarações dos atletas antes e depois das partidas, nos intervalos ou até mesmo depois de expulsões.
Entre os exemplos apresentados de como os jornalistas têm poucas restrições na terra da única seleção pentacampeã mundial estão a “avalanche de profissionais” que cercou Ronaldo depois do primeiro gol dele pelo Corinthians e a brincadeira do programa “Fantástico”, da TV Globo, que toca a música pedida por um jogador que fez três gols em um mesmo jogo.
Na Copa do Mundo, as restrições são bem maiores. Apenas fotógrafos podem se posicionar próximos do campo. Os repórteres precisam ficar em uma área específica para a imprensa e só podem falar com os atletas em uma “zona de mista” depois das partidas.
Em algumas situações, como as áreas de imprensa dos estádios ficam lotadas, os jornalistas acompanham os jogos não in loco, mas via telões no IBC (International Broadcast Center, o centro internacional de televisão).
O “New York Times” também escreveu sobre os atritos entre Dunga e a imprensa brasileira. O treinador tem feito vários treinos fechados na África do Sul e não permite a transmissão ao vivo do trabalhos da equipe, prática que era comum na última Copa, na Alemanha.
Assistente não enxerga chute de Lampard que entrou e alemães se vingam da final de 1966
Do R7

AFPO atacante Rooney mostra ao juiz o quanto a bola entrou dentro do gol
A história entre Alemanha e Inglaterra, duas seleções campeãs do mundo, teve mais um belo capítulo neste domingo (27), em Bloemfontein. Em jogo válido pelas oitavas de final do Mundial da África do Sul, os alemães golearam os rivais por 4 a 1, em uma partida recheada de belos gols, lances polêmicos e um toque de vingança.
Além do amplo placar, o confronto vai ficar marcado por um dos maiores erros de arbitragem em Copas do Mundo. O assistente Espinoza Rodriguez não viu que a bola chutada por Lampard que acertou o travessão no primeiro tempo entrou pelo menos um metro no gol, e o juiz Jorge Larrionda não validou o gol.
Dessa forma, a Inglaterra foi para o intervalo perdendo por 2 a 1. Ironicamente, o lance serviu como uma “vingança” dos alemães pela final da Copa de 1966, vencida pela seleção inglesa, decisão até hoje contestada.
Na ocasião, ambos os times empataram por 2 a 2 no tempo normal. Na prorrogação, um gol ilegal do inglês Hurst (a bola não passou a linha) foi determinante para a vitória por 4 a 2 da Inglaterra.
A derrota encerra o trabalho do italiano Fabio Capello à frente do time na Copa do Mudo, depois de uma fraca primeira fase (empatou com os Estados Unidos por 1 a 1, com a Argélia por 0 a 0 e ganhou da Eslovênia por 1 a 0), na qual a equipe se classificou em segundo do Grupo C.
Já a Alemanha mostra o peso de sua camisa três vezes campeã do mundo e confirma o sucesso de Joaquim Löw frente à seleção, até pouco tempo criticado. Na primeira fase, o time goleou a Austrália por 4 a 0 na estreia, mas perdeu em seguida para a Sérvia por 1 a 0. No último jogo, bateu Gana por 1 a 0.
Nas quartas de final, os alemães enfrentam a Argentina ou o México, que duelam ainda neste domingo às 15h30 (de Brasília).
Como foi o jogo
A partida foi extremamente equilibrada, mas a Alemanha mostrou o quão é mortal nos contra-ataques. Logo no começo, Klose e Podolski tiveram chances de abrir o marcador. E aos 19min, Klose ganhou no corpo do zagueiro Upson após chutão de Neuer e tocou na saída de James.
Atordoada, a Inglaterra recurou e levou ainda mais pressão. Aos 32min, veio o segundo gol alemão: Podolski recebeu na área, ajeitou e bateu no canto, sem chance alguma para James.
O jogo ficou alucinante. Aos 34min, a Inglaterra quase diminui. Lampard recebeu cruzamento de Milner e obrigou Neuer a defender. Um minuto depois, Klose quase marcou de novo em jogada na pequena área.
Na jogada seguinte, os ingleses diminuiram. Gerrard cruzou após escanteio, e Upson ganhou no alto para fazer de cabeça. Logo depois, aconteceria o maior erro de arbitragem da Copa da África.
Lampard fez um golaço de cobertura aos 37min, mas o trio de arbitragem não viu que a bola entrou no gol após tocar no travessão. O grosseiro equívoco fez o estádio vaiar ao fim do primeiro tempo.
Na segunda etapa a Inglaterra teve de sair para o jogo. Lampard acertou o travessão aos 6min em uma bomba de cobrança de falta. O atacante Rooney e o meia Gerrard brigaram muito, mas não conseguiram diminuir. Já a Alemanha ampliou com Müller aos 21min e 23min, ambas jogadas de contra-ataque com Özil e Podolski. Desmoralizada, a Inglaterra deua adeus à Copa.