Grávida Elétrica: Catirina come na Litorânea língua salgada do boi
- 04/11/2009, 11:41
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Um dia Catirina prestes a parir teve um grande desejo, comer a língua do boi mais bonito da fazenda, com pirão de farinha d’água e jerimum. Pai Francisco, seu marido, sem pensar duas vezes mandou a língua de Mimoso, o boi, para a panela.
De um cozido de língua para um sururu generalizado
Com a raiva do patrão foi pisa dos caboclos em Pai Francisco e aflição pra Catirina. No meio da confusão pajés ressuscitam Mimoso, que sem língua mugia baixinho. E desde então essa cascaria no meio da fazenda envolvendo um boi saboroso, uma grávida desejosa, um criado sem medidas, um patrão raivoso, caboclos metidos a capatazes e pajés com o poder de Cristo para ressuscitar bois, são as personagens do Auto do Bumba-meu-boi, maior expoente do folclore maranhense.
Da Cultura pra Saúde – A saga do cazumbá pós-moderno
Que Catirina estava grávida e o seu desejo por uma língua de boi foi o maior causador dessa história, criando com isso o bumba-meu-boi, ninguém duvida. Mas ao colocar num trio elétrico na Litorânea Catirina e família, atribuição essa que deveria ser da Secretaria de Cultura, o Secretário de Saúde (?) Ricardo Neo-cazumbá Murad brinca com a boa vontade dos maranhenses.
O cazumbá pós-moderno, Ricardo Murad, sentindo-se uma mistura de pajé com o amo da história de Catirina, tenta ressuscitar o finado Marafolia, agora com lantejoulas e uma estrela na testa, com o nome de BUMBA ILHA. Até abadá, a toque de caixas madre-divinas, será trazido das trevas sob a alcunha de “couro-de-boi”, a famosa pipoca baiana será denominada desta vez de mutuca. Mutuca para quem não sabe é uma caba (vespa para os sulistas) em tamanho menor e com ferrão reduzido, obviamente.
Novo Auto do Bumba-meu-boi Elétrico ou como fazer Catirina sair do interior e subir buchuda num trio elétrico na Litorânea.
Para Catirina, Pai Francisco e companhia saírem da Cultura para a Saúde teríamos que reescrever o Auto e dar ênfase a alguns pontos marcantes dessa peleja bovino-maternal.
Catirina: por estar grávida irá tentar ser atendida na Maternidade Marly Sarney, sentindo fortes dores e na iminência de parir. Após a tentativa frustrada de atendimento, já que os funcionários estarão na porta da maternidade reclamando a demissão em massa de várias pessoas, Catirina voltará para casa revoltada com a Secretaria de Saúde do governo do TSE e de passagem pela feira da Cohab pediria a língua do boi, numa forma de saciar seu desejo de grávida. Não atendida em seus desejos prenhes, Catirina revoltada vai com Pai Francisco atrás de Mimoso lá perto do Clube de Veraneio do IPEM, na Litorânea. Vendo Chagas da Maioba, Humberto de Maracanã, Inácio Pinheiro do Barrica e Roseana do Sarney em cima de um trio elétrico, Catirina sobe e enche a cara de catuaba, para matar o desejo que tem por Mimoso.
Pai Francisco: depois de várias pancadas dadas pelos capatazes do dono da fazenda em sua moleira, por causa do “boiticídio”(crime contra a integridade física do boi) precisará ir ao Hospital do Ipem urgentemente, já que é aposentado pelo Estado. Como Pai Francisco esquece em casa o seu contracheque, para provar seu enlace com o IPEM, o atendimento é negado e ele passa horas por ali, nos corredores do hospital, até o sangue endurecer na sua cabeça. Catirina nessa hora incita o marido a ir pra Litorânea lavar o quengo pra tirar o sangue seco. Doida pra subir no trio elétrico e encontrar com Chagas da Maioba, Humberto de Maracanã, Inácio Pinheiro do Barrica e Roseana do Sarney. Termina com Catirina e Francisco enchendo a cara de catuaba, para matar o desejo que ela tem por Mimoso e Pai Francisco para amenizar a dor.
Mimoso, o Boi: vacinado ainda no governo Jackson Lago contra a aftosa, mimoso é um boi belo, coxões grossos e mugido agudo. Para mugir desse jeito tem que ter uma língua grande, coisa que causa curiosidade e desejo em Catirina. Mimoso no seu instinto animal sente a vontade de Pai Francisco em matá-lo e corre para a Litorânea. Morto, Mimoso é ressuscitado pelo Cazumbá pós-moderno, metido a pajé, Ricardo Murad.
Apesar de ser de ferro a Patrulha do Bairro também muda de couro nessa peleja “junho-novembrina” e passa a chamar-se, nestes tempos de boi na praia, de Ronda Comunitária.
E todos, de Godão a Bulcão, aplaudem a tão sonhada fusão do São João com Carnaval, laço estreitado desde a Natalina da Paixão, uma espécie de Boi Barrica “Bicho-terreado” no Natal.
Que venha agora a Asa de Águia de Maracanã, de matracas e pandeirões, com seu amo Durval Lélis do Maracanã, ou mesmo o Chiclete com Banana da Maioba com Bel da Maioba Chiadora, de maracá na mão.
Um aviso a Catirina:
Amiga Catirina, sei que és senhora do interior acostumada a tomar sol na roça, mas não esqueça que na praia o sol parece ser mais forte, passe protetor na barriga para evitar estrias e cubra a cabeça de Francisco com chapéu. Já em Mimoso passe óleo de urucum, que além de corar ajuda a temperar.
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