Sobe para 13 o número de mortos pela chuva em Petrópolis

Dois dos mortos são integrantes da Defesa Civil que atuavam no socorro às vítimas. Força Nacional de Defesa Civil está a caminho da cidade.

Imagem: Cléber Júnior/Extra//Agência O GloboDepois da forte chuva de domingo (17), ruas e casas ficaram alagadas em Duque de Caxias no bairro Santa Cruz da Serra, no Rio de Janeiro (Imagem:Cléber Júnior/Extra//Agência O Globo)Depois da forte chuva de domingo (17), ruas e casas ficaram alagadas em Duque de Caxias no bairro Santa Cruz da Serra, no Rio de Janeiro


A Força Nacional de Defesa Civil está a caminho de Petrópolis para auxiliar no socorro às vítimas da chuva que atinge a Região Serrana do Rio desde a noite deste domingo. O governador do estado, Sérgio Cabral, recebeu na manhã desta segunda-feira um telefonema da presidente Dilma Rousseff, que está em Roma, e da ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, oferecendo apoio do governo federal. Mais cedo, a Defesa Civil do estado confirmou que subiu para 13 o total de mortes causadas pelo temporal - todas registradas em Petrópolis. Dois dos mortos são técnicos da Defesa Civil da cidade, que auxiliavam moradores de uma área de risco a deixar suas casas no momento da chuva.

(Atualizado às 14h20)

Os locais mais afetados pelo temporal foram o Quitandinha, com acumulado de 390 milímetros de precipitação em 24 horas, Independência, com 277 milímetros, e Doutor Thouzet, com 267 milímetros. O previsto para todo o mês de março era 270 milímetros. As chuvas também atingiram as cidades de Angra dos Reis, Mangaratiba, Niterói, Teresópolis, onde foram detectados pontos de deslizamento. Em Duque de Caxias, há estragos sendo contabilziados em Xerém, distrito atingido por um temporal em janeiro.

De acordo com o prefeito Rubens Bomtempo, os sinais sonoros que alertam para fortes chuvas foram acionados e dez escolas municipais foram abertas para a população. Com a tempestade, vários bairros da cidade ficaram alagados, inclusive as ruas do centro de Petrópolis. A enxurrada arrastou veículos e deixou pessoas ilhadas, dificultado também o trabalho da Defesa Civil, que tem problemas para chegar até locais mais isolados. O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, está em Petrópolis desde a madrugada, coordenando a operação de resgate.

Teresópolis, cidade vizinha a Petrópolis, são quatro os locais mais atingidos: Caxangá, Rozário, Vale da Revolta e Coreia. A cidade está em estado de atenção e registrou um deslizamento de terra e duas quedas de barreira em áreas não habitadas. Também foi registrado um ponto de alagamento na região de Vargem Grande. Em Nova Friburgo, a chuva provocou a queda de barreira na RJ142, no bairro Debossan. Não houve vítimas.

Além da Região Serrana, estão sendo contabilizados os estragos em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no sopé da serra e no caminho para as cidades de Petrópolis e Teresópolis. Não há registro de mortos. Xerém foi a região que, em janeiro, teve mais de 2.000 desabrigados depois de uma forte chuva na região.

Xerém - Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, os rios Capivari e Saracuruna alagaram e deixaram pessoas desalojadas. Segundo o prefeito, Alexandre Cardoso, do PSB, é difícil precisar quantos tiveram de deixar as casas. “A caixa dos rios não está preparada e há pessoas morando nas margens”, afirma Cardoso. Três localidades foram mais afetadas em Caxias: Santa Cruz, Parque Paulista e Xerém (na zona rural). Em Xerém, onde duas pessoas morreram no início deste ano também por causa de alagamento, três casas encheram d’água. Nos outros dois distritos de Caxias, outra 50 casas em beira de rio ficaram alagadas.

“Nas três moradias de Xerém, as pessoas recebiam aluguel social. Não poderiam esta lá”, afirma Cardoso. Ou seja, os moradores recebiam o dinheiro para não viver no local, considerado de risco pela Defesa Civil, mas continuavam lá. O prefeito prometeu ser rígido com a ocupação irregular. Neste momento, Cardoso está na central de emergência montada na cidade desde as 5h desta segunda-feira para monitorar as chuvas. “Vou cadastrar pessoas que ocupam as beiras de rios. Estou com um estoque de 200 casas do Minha casa, minha vida”, explica.

Angra dos Reis - Em Angra dos Reis, na Costa Verde, 36 pessoas ficaram desalojadas em Mambucaba por causa do transbordamento do rio Perequê durante a maré alta. Os moradores que tiveram de deixar as casas foram levados para a escola municipal Frei Bernardo, feita, temporariamente, de abrigo. Em Bracuí, famílias ficaram ilhadas pelo alagamento e a Desefa Civil deve instalar um novo abrigo. A cidade está em estágio de alerta por causa dos índices pluviométricos. No Frade, houve acumulado de 148 milímetros em 24 horas; em Paraíso, foram 117 milímetros; no centro da cidade, 114 milímetros.

A Defesa Civil municipal registrou duas quedas de árvores na rodovia Rio-Santos, entre Caetés e Garatucaia. A pista chegou a ficar totalmente fechada ao tráfego, mas foi reaberta. A correnteza dos rios também danificou duas pontes. Uma delas, que fica perto do Horto Municipal, no Areal, desabou. A ponte da Banqueta, que já estava parcialmente comprometida desde a chuva de janeiro, foi totalmente interditada. Houve deslizamentos de terra e de rocha na rua Angra Getulândia, na descida do Morro da Cruz. O trânsito neste trecho segue em sistema 'pare e siga'.

A chuva permanece em Angra e a altura dos rios não voltou à normalidade. “Em função do alto volume de chuva, as encostas estão saturadas e há risco de deslizamentos”, afirma o superintendente da Defesa Civil de Angra dos Reis, Francisco Judice.
Editada em 18/03/2013 as 16h10 - Por: Lucas Stefano Fonte: veja.com