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Pobreza cresce 16% no Maranhão, segundo pesquisa do IBGE

Recentemente foi divulgado pelo IBGE os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que é uma pesquisa realizada para ter a noção de como anda o desenvolvimento econômico do brasileiro. De todos os estados do Brasil, o Maranhão apresentou um desempenho caótico, chegando a ficar na lanterna do desenvolvimento e da distribuição de renda da população. A pesquisa mede o crescimento e o peso das classes sociais dentro do cenário econômico de cada estado, mostrando também se houve ou não mudança de classe para os indivíduos. Os últimos dados coletados referentes ao ano de 2008, foram divulgados recentemente e mostram que enquanto no Piauí apenas 4% da população foi transferida para a classe pobre (Ou classe D), no Maranhão o número foi de 16% entre os anos de 2003 e 2008. Essas pessoas ganham de meio até um salário mínimo e vivem de acordo com sua renda.

INEFICIÊCIA DO GOVERNO DO ESTADO COM ADOÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

Professor e Economista Sebastião Carlos

Professor e Economista Sebastião Carlos

Estes dados nos mostram que mesmo com a injeção de recursos para o estado, a má gestão e diferentes formas de administrar a verba fazem com que tais resultados sejam alcançados. Só no ano de 2008 foram R$ 811 milhões destinados ao estado do Maranhão, e em 2009 os números já chegam a R$ 589 milhões. O comportamento político vigente no estado pode ser um fator crucial para explicar tal rendimento por parte do Maranhão diante dos outros estados brasileiros. Para entender melhor o que tudo isso significa e importa para a sociedade, entrevistamos o economista Sebastião Carlos, que é professor na Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O professor nos explica que no ano de 2003, com o início do governo Lula, muitos programas de combate a pobreza foram implantados beneficiando, sobretudo os estados do nordeste. A idéia foi aceita por muitos estados, e incentivada com mais recursos por parte dos governos estaduais, porém outros simplesmente negligenciaram tais medidas e seguiram ao seu modo de intervir na questão econômica da população. Programas como o Bolsa Família e Fome Zero são exemplos de como o governo federal agiu em prol das pessoas carentes, mas políticas de geração de emprego e renda também precisam ser adotadas a fim de que a população não se torne dependente de recursos públicos. “Se o estado não entrar com sua contrapartida para as políticas de desenvolvimento, os indicadores não conseguem resultar em índices significativos” resume Sebastião em relação a ação dos estados.

A INSTABILIDADE POLÍTICA AGRAVA O ESTADO DO MARANHÃO
Estes dados vergonhosos para o estado do maranhão mostram o reflexo da conjuntura política do estado, de verdadeira instabilidade devido a mudanças de governantes e brigas partidárias. O que vale ressaltar é que analisar a renda dos cidadãos é também ter uma noção de como se dará a vida de tais indivíduos. O professor Sebastião nos conta que a análise da renda é como uma referência para outros setores da vida como moradia, aquisição de bens, alimentação e outros. “Uma pessoa que tem uma renda melhor, conseqüentemente terá condições de adquirir bens de consumo, uma moradia digna, e hábitos que influenciarão nos índices econômicos do estado” ressalta Sebastião em relação à renda da população. No estado do Piauí, a incorporação de hábitos que tem relação direta com a melhoria da renda das pessoas forma um novo perfil populacional e comercial regido pelas medidas do governo estadual convergentes à política de desenvolvimento adotada pelo governo federal.
Em alguns setores da economia, como na venda de bens duráveis e telefone celular, o Maranhão conseguiu vendas bastante significantes, porém a nível geral os índices não foram favoráveis a diminuição da pobreza. Isso devido ao incentivo dado pelo governo federal reduzindo o IPI dos produtos.

MUITA POBREZA ESPANTA OS INVESTIDORES
O economista menciona que o governo do Maranhão entenda que este resultado não é bom pra ninguém. “Não é bom pro estado, não é bom pra quem governa e não é bom pra sociedade como um todo, porque a imagem do estado no cenário nacional fica arranhada e comprometida” acrescenta Sebastião. Outro fator interessante referente aos resultados da pesquisa é que tendo em vista um cenário de decadência econômica no estado, é inevitável o espanto dos investidores. Sabemos que um investidor pretende investir onde há prosperidade, onde há perspectivas positivas para novos investimentos, em caso contrário não há circulação de dinheiro por parte dos mesmos.

PERSPECTIVAS PARA PRÓXIMAS PESQUISAS
Quando falamos em uma perspectiva para as próximas pesquisas relacionadas a pobreza no estado do Maranhão devemos estar preparados para números mais caóticos ainda. A última pesquisa realizada diz respeito aos dados do ano de 2008, ano em que começou a crise mundial. As políticas adotadas pelo governo para minimizar os impactos da crise, como por exemplo a redução do IPI para os bens de consumo de linha branca serve de paliativo para a economia, porém se as políticas estaduais não se voltarem para este mesmo sentido, que seria conter a crise, somente o governo federal não é capaz de barrar os efeitos danosos da crise. “Alguns indicadores já mostram os efeitos da crise na economia do estado, como é o caso do saldo de trabalhadores com carteira assinada na cidade de Timon que foi de apenas 13 trabalhadores no último ano. Timon nos serve de termômetro, tendo em vista que é uma das cidades mais importantes do estado” acrescenta o economista.
É lógico que depois da consciência destes índices haja a manifestação do estado para evitar que venha a subir ainda mais a pobreza. O economista Sebastião Carlos nos conta que a política do maranhão tem a prática de se omitir quanto a realização de medidas que contenham o avanço da pobreza no estado, como programas que incentivem a geração de emprego e renda, de bancos populares, incentivo ao micro-empreendedor individual, incentivo ao sistema de cooperativas e associação de produtores. “São essas políticas que acabam atendendo aos setores mais desfavorecidos ocasionando na diminuição da pobreza do estado” confirma o economista Sebastião Carlos.
Os resultados apresentados pelo Piauí na PNAD 2008 são qualitativamente melhores e quando comparados com o Maranhão, que mostra sua fragilidade e disparidade social agravantes a cada e a não eficácia do governo do estado em resolver tais problemas. Enquanto isso as perspectivas para os novos índices do Piauí nesta pesquisa são otimistas, segundo o economista Sebastião Carlos. “A idéia que se tem é que não se mexe em time que está ganhando, então se nos últimos anos o Piauí alcançou resultados positivos e satisfatórios é normal que para a próxima pesquisa se tenha resultados ainda melhores, se caso for continuada a política de crescimento social” finaliza Sebastião em sua fala.

Sobre o autor

Rodrigo Antunes escreveu 1796 notícias.

Acadêmico de Comunicação Social na Universidade Federal do Piauí. Já passou por outros estágios em grandes portais de Teresina. Desenvolve projetos culturais relacionados a música atuando como vocalista e compositor. Interesses: jornalismo, cinema,música, direito, atividades culturais, fotografia, videos, tecnologia, design.

3 Comentário

  • 06.11.2009 20:09, marcio portugal disse:

    Gostaria de comentar a respeito da real situaçao do estado do maranhao, no que diz respeito a pobreza.É triste o que tem acontecido com o estado do maranhao. enquanto o pais se desenvolve economicamente, o estado decresce. Ai se ve a imcapacidade de governar e a corrupçao (que é do conhecimento de todos)dos politicos maranhenses em sua grande maioria.

    • 15.11.2009 13:05, Nayara disse:

      O Maranhão um Estado que tem tudo pra ser rico, mas é pisado e camuflado pelos interesses mesquinhos e nunca saciados dos seus governantes, o Maranhão se transformou em uma empresa milionária pra quem se apodera, é o verdadeiro caos, a população não tem mais voz, escureceu tudo por aqui, de repente a paisagem se torna normal, a sensibilidade está se tornando o sentimento mais servil. Nunca vi tanta cara-de pau, nunca vi um governo ser tão disputado, nunca vi tanta baixaria, fuxico, mortes, macumbas……pelo poder de roubar.
      Sou maranhense amo o meu estado, minha cidade e o povo humilde, simples que há por aqui, menos os que se corrompem por dinheiro, que destroem oportunidades da população pra enriquecer o seu bolso….Quarenta anos de oligarcas, já chega!!!!!!! O estado é nosso e não de “vocês”. Tirem a mão do nosso bolso e o olho do nosso salário……

      • 01.01.2010 23:33, klebem disse:

        Sem dúvida que a pilanta tal usando o dinheiro pra compra as liderença do Maranhão; mais ela que se cuider que 2010 tal aqui vamos da o troco bem dadou.

        (Obrigatório)
        (Obrigatório, Não será publicado)