Plantão Hoje:

Notícias Relacionadas à ‘Honoráveis Bandidos’

Page 2 of 2«12

Honoráveis incômodos

honoraveis-bandidos

Nunca um lançamento foi tão esperado aqui no Maranhão. Nem o São João em novembro do Bumba-Ilha da Secretaria de Saúde, nem o Marafolia, finado Carnaval de outubro ou mesmo a estréia do filme O Dono do Mar foram tão aguardados quanto o lançamento do livro Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney.

Palmério Dória conseguiu colocar a unha literária bem no fundinho da ferida histórica da família Sarney: o enriquecimento inexplicável de quem sempre viveu da política.

Como um Jack Estripador da vida alheia, uma verdadeira comadre das entrelinhas da história, Palmério Dória segue em todas as 208 páginas de seu livro esmiuçando as passagens políticas do camaleão José Sarney. Sempre camuflado conforme a conveniência do momento, hora servil à Ditadura, hora baluarte da democracia.

Se o Lula há poucos afirmou que caso Cristo viesse hoje ao Brasil e fizesse campanha política, com certeza se aliaria a Judas pra conseguir votos. Sarney, seguindo as análises de Palmério Dória, se aliaria a Cristo, Judas, Barrabás e ainda lavaria o rosto com as sobras da água que Pilatos molhou as mãos.

O amor e a subserviência são cegos

Diz um antigo ditado que “quem o feio ama, bonito lhe parece”. Os amantes da política de José Sarney o acham um lindo homem público e saem quase que diariamente em defesa do guru, tentando achincalhar o escritor Palmério Dória, por causa do honorável livro.

O socialite Pergentino Holanda, citado em dois momentos no livro, colocou nota recente no jornal Estado do Maranhão falando que o Honoráveis Bandidos não é livro e quem tente ler, para tirar a prova, destrói o impresso ainda nas primeiras páginas, rebolando o livro de Palmério Dória nos vasinhos podres de chiques de lixo.

Hoje cedo subiu ao púlpito da Assembleia Legislativa o deputado estadual Joaquim Haickel. Culto e imortal, o deputado traçou severas críticas ao livro do Palmério Dória.

Dizendo-se apreciador de literatura e política, Joaquim Haickel afirmou em tom irônico que vai ler o livro e fez questão de errar várias vezes o nome do jornalista paraense. Política e literatura tendenciosa, este é o livro Honoráveis Bandidos, segundo o deputado Joaquim.

“Palmério Dória quer ganhar um dinheirinho, não acho isso errado”, finalizou o deputado.

O que achei do livro Honoráveis Bandidos

Duzentas e oito páginas foram poucas. Gostei desde o título do livro à orelha final. Ver escreverem sobre José Sarney sem medo de represálias por não depender financeiramente dele ou mesmo não ser maranhense e correr o risco de ser linchado por algum adepto dessa religião que é o Sarneysismo Atostólico Secretum Românico, torna prazerosa a leitura.

Certo dia num ônibus uma senhora me viu lendo em pé o livro e pediu para ver capa e contra-capa. A senhora falou que estava frustrada por não conseguir comprá-lo aqui em São Luís, aproveitei e fiz a propaganda do lançamento de amanhã.

O que mais gostei, por ter feito alguns períodos de História na UFMA, foi a cronologia desde a concepção do velho Sarney até as suas agruras com o Caso Lunus e o cerco ao filho Fernando. O dia de Yemanjá, dois de fevereiro, também é bastante citado. Yemanjá, Iara, Inaê, mar, dono do mar, por fim acaba desaguando no Atlântico mesmo.

Fico triste somente por ninguém ter avisado Palmério Dória que Alcântara não é uma ilha, é bem verdade que a maioria das pessoas vão pra lá de barco, mas quem é ilha é São Luís, Alcântara está grudada no continente desde a finada pangéia.

O Que: lançamento do livro do jornalista paraense Palmério Dória Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney

Quando: amanhã, 04 de novembro de 2009 às 19h

Onde: auditório do Sindicato dos Bancários de São Luís, na Rua do Sol, 413, Centro – São Luis.


Livrarias do Maranhão rejeitam lançar ‘Honoráveis Bandidos’

017600657-ex00

Com medo da família Sarney, nenhuma livraria em São Luís (MA) aceitou abrigar o lançamento de “Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney”, diz o jornalista Palmério Dória, autor da obra. O jeito foi improvisar um evento na sede do Sindicato dos Bancários, marcado para o próximo dia 4 de novembro, a partir das 19h.

Além de detalhar todos os escândalos envolvendo o clã do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o livro dedica um capítulo (nº 8, “O lado feminino”) só para falar sobre as intimidades da família e de seu patriarca.

Na página 91, Dória escreve: “Sarney achou que seus sonhos [de conquistar Ana Maria Roiter, relações públicas da Rede Globo no começo dos anos 1980] poderiam concretizar-se em Nova York – o senador delirava só em pensar na realização de seu fetiche sexual: lambidas em seu hálux, ou, na linguagem popular, o dedão do pé. E rumou esperançoso para a capital do mundo ocidental, entre os convidados da Globo para a entrega de um daqueles prêmios internacionais, em tempos de boca-livre total.”

Questionado pela Folha sobre a fonte dessa informação, o jornalista não quis revelar. O autor diz que não é a primeira vez que sofre censura no Maranhão. Seu livro “A Candidata que Virou Picolé” (2002), sobre Roseana Sarney, filha do senador, foi colocado à venda nas bancas de São Luís, e teve todos os exemplares comprados pela família Sarney, afirma Dória, que confirmou presença no próximo dia 4 em São Luís. Será o primeiro lançamento do livro em uma capital nordestina.

Dória diz que a família Sarney não tomou nenhuma ação jurídica contra sua obra, que narra o enriquecimento de parentes e interferências na máquina pública, ao longo de décadas.

O autor afirma que seu livro também ficou de fora da exibição oficial da feira do livro realizada na cidade de Imperatriz (636 km de São Luís).

Mas Dória não mostra preocupação com a ausência de “Honoráveis Bandidos” nas livrarias maranhenses. “Hoje dá para comprar qualquer livro pela internet.”


Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney

honoraveis-bandidos
Boicotado pelas livrarias maranhenses o livro “Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney”, do jornalista e escritor paraense Palmério Dória, será lançado ainda este mês em São Luís.

Com informações polêmicas sobre a trajetória política do Senador José Sarney (PMDB-AP), Palmério Dória lança a cartilha que faltava para os desafetos do Dono do Mar.

Numa narrativa humorada (e ácida, por vezes) o escritor nos leva à sala de estar da família que comanda o Maranhão há mais de quatro décadas, revelando brigas, jogo de interesses e troca de favores entre várias gerações de políticos e bajuladores, dos cenários nacional e maranhense.

Aos maranhenses apreciadores da história, essa é a indicação de uma boa leitura.

No sítio do Jornal Pequeno constam alguns trechos extraídos do livro, leiam abaixo:

O PMDB ERECTO

Vizinha do pai na Praia do Calhau, vizinha do pai no Planalto: Roseana tinha gabinete montado pertinho do pai presidente da República. Comportava-se como se estivesse na própria casa.

Bocuda. E desbocada. Mal chegando às bordas do poder federal, ela presenciou o encontro em que o deputado Cid Carvalho, seu conterrâneo, pediu a Sarney apoio para o PMDB nas eleições de 1985. Cid foi enfático:

“Presidente, ao senhor interessa o PMDB erecto!”

Cid voltou o Planalto, semanas depois, desenxabido com o fracasso de seu candidato, que não passou do quarto lugar, com apenas dez mil votos. Roseana levantou o braço, de punho fechado, em posição fálica:

“Então, Cid? Cadê o PMDB erecto?”

Baixou o cotovelo e o balançou, em gesto obsceno:

“Broxou?”

(“Honoráveis Bandidos”, página 28)

A PORTA BLINDEX DO ZEQUINHA

Nem preferido da mãe, nem preferido do pai, José Sarney Filho, o Zequinha, filho do meio, é pesado de carregar. Foi ministro do Meio Ambiente de Fernando Henrique Cardoso, e mais nada.

Seu grande feito foi transferir para o seu Maranhão, então governado pela irmã, nada menos que 80 por cento das verbas de sua pasta – e Roseana achou pouco.

Quando viu que não vinha mais nada, e que o irmão, três anos mais moço, estava fugindo dela, foi até a casa dele, pegou do jardim uma pedra e atirou-a contra a porta de vidro blindex da entrada, que se espatifou. Raivosa mesmo.

(“Honoráveis Bandidos”, página 30)


Todo conteúdo, imagem e/ou opiniões constantes aqui neste espaço é de responsabilidade civil e penal exclusiva do blogueiro ou de quem utilizou sua senha pessoal para postar as informações. O material aqui divulgado não mantém qualquer relação com a opinião editorial da empresa.
Page 2 of 2«12