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NOTA DE REPÚDIO À PRISÃO DE JORNALISTA – Algema não é sinônimo de silêncio!

Manifestantes na rua, camburão com sirene ligada e jornalista algemado. Esta cena poderia ter sido retirada do filme O Que é Isso Companheiro, do diretor Bruno Barreto de 1997, que relata a truculência e a censura imposta pelos militares no período da Ditadura (1964-1984). Mas, por mais absurdo que pareça, o fato ocorreu na noite da última quarta-feira, 28 de abril, nas barbas do Legislativo Municipal de Timon, tendo como artífices o presidente da Câmara, vereador Antonio Borges Pimentel Filho, o Biú (PRB) e membros da Guarda Municipal de Timon, que agem, indiretamente, sob a batuta da prefeita Socorro Waquim (PMDB).

É triste e inaceitável para nós relatar tal fato. Ver Timon mudar de cidade dos buracos e do descaso, para a terra da censura. Onde um Presidente da Câmara, eleito pelo povo, ordena a agressão a um jornalista no exercício de sua função.

Ao invés de progredir, regride-se à mordaça dos Anos de Chumbo da história brasileira. Divulgar falhas e manifestações voltou a ser motivo de humilhações e prisão.

À Guarda Municipal de Timon coube o papel de executar as ordens do vereador Biú que, achando-se o dono da Câmara, Biú bradou ao jornalista Edmundo Moreira, do Portal e Jornal Hoje: “aqui você não filma, aqui você não fica”, mandando prendê-lo logo após, por puro ‘desacato a censura’.

A nós, resta sentir pena e lamentar, tanto como comunicadores, quanto como moradores desta cidade, que o vereador Antonio Pimentel Biú desfira sua gana por censura e tire a Guarda Municipal de suas verdadeiras funções. Zelar pelo patrimônio de Timon não é proteger o vereador do julgamento do povo, da divulgação de sua imagem ou tão pouco da argumentação de um jornalista.

O fato é que Biú perdeu uma grande oportunidade de ficar omisso, coisa que não acontece comumente.

Nisso, Timon continua vivendo um paradoxo, enquanto a farda azul anil se sente forte perante pessoas de bem, a marginalidade, tráfico de drogas, prostituição e pedofilia, dão expediente diário nas ruas esburacadas de Timon, sem sofrer nem um beliscão da briosa guarda ou preocupação por parte do ilustríssimo e monossilábico Presidente da Câmara.

Faz-se necessário informar que as palavras não cessarão com algemas e o nosso intuito, enquanto jornal impresso e sítio de internet, de manter o povo de Timon por dentro dos maltratos e descasos com a população, não calará frente às pressões.

Deixemos para a história que esta se encarregará de mostrar quem algema ou deva ser algemado, quem escreve ou quem virará manchete.


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