À beira do campo, Diego Maradona seguiu o conselho das filhas e estreou como técnico em Copas do Mundo envergando um impecável terno cinza para enfrentar a Nigéria. Em volta dele, a torcida argentina deu um trato no visual do estádio Ellis Park e carregou suas bandeiras para as arquibancadas, como se estivesse na Bombonera. Dentro de campo, os comandados de Don Diego também jogaram como manda o figurino: Messi chamou a responsabilidade e fez o time jogar para frente. O placar de 1 a 0 não chegou a empolgar, mas deu para ficar bem na foto.
Cercado de expectativas antes da Copa, Messi foi o maestro da Argentina, mas não conseguiu vencer a batalha com o goleiro Enyeama, que fechou as portas para craque e foi escolhido pela Fifa como o melhor em campo. O gol dos hermanos saiu numa cabeçada de Heinze, aos seis minutos do primeiro tempo.
A Argentina volta aos gramados no dia 17, no Soccer City, para enfrentar a Coreia do Sul. No mesmo dia, a Nigéria pega a Grécia. Argentinos e sul-coreanos lideram o grupo B com três pontos cada. Gregos e nigerianos não pontuaram na primeira rodada.
O jogo
Apesar de ficar no bairro de Hillbrow, com grande concentração de nigerianos, o Ellis Park ganhou ares de Bombonera antes da partida deste sábado. Os argentinos dividiram as arquibancadas meio a meio e, apesar do barulho das vuvuzelas, cantaram e balançaram suas bandeiras como se estivessem em casa.
Até as faixas em homenagem a Maradona estavam lá. A diferença é que, em Buenos Aires, o ídolo maior do país costuma ficar no camarote do estádio com a camisa do Boca Juniors. Desta vez, ele estava à beira do campo, com ares de professor e um elegante terno cinza. Antes de a bola rolar, foi até o limite da torcida e, de longe, mandou beijos para o neto. Ganhou o mimo de volta e, aí sim, estava pronto para o início da Copa do Mundo.
O rival era a mesma Nigéria que estava do outro lado do campo no último jogo do Maradona jogador em Copas, em 1994. O placar daquele confronto também apertado – 2 a 1 -, mas o magro 1 a 0 deste sábado não diz exatamente o que foi o jogo.
Dentro das quatro linhas, a Argentina não demorou muito para mostrar seu cartão de visitas. Criticado por não brilhar tanto com a camisa da seleção como faz no Barcelona, Messi abriu os trabalhos logo aos cinco minutos, costurando entre quatro defensores nigerianos para deixar Higuaín na cara do gol. Na pequena área, o atacante do Real Madrid jogou a chance para fora.
Em seguida, começou o duelo entre Messi e o goleiro Enyeama. No primeiro round, o craque bateu de fora da área, mas não conseguiu vencer o rival, que espalmou para escanteio. Na cobrança de Verón, uma pausa no duelo: cabeçada certeira de Heinze e rede estufada pela primeira e única vez: Argentina 1 a 0. No agarra-agarra dentro da área, Samuel se encarregou de conter Obasi, e o lateral-esquerdo ficou livre para concluir. Odiah ainda tentou salvar embaixo da trave, mas o esforço foi inútil.
Quando a torcida explodiu nas arquibancadas do Ellis Park, Maradona virou para trás, apontou para os jogadores reservas e vibrou de forma intensa pela primeira vez na Copa. O domínio argentino continuou, mas Higuaín não conseguia esticar a euforia do comandante. Aos 21, ele recebeu lindo passe de Tevez e chutou em cima do goleiro.
A Nigéria só assustou aos 27, quando Obasi aproveitou falha de Jonás Gutiérrez na marcação e, solto na área, mandou para fora. Era hora de retomar o duelo Messi x Enyeama. “A Pulga” quase marcou aos 36, quando deu um corte no zagueiro e, de perna esquerda, obrigou o goleiro a fazer a melhor defesa do primeiro tempo, de mão trocada, mandando a escanteio.
Verón ainda bateu uma falta por cima do travessão, e veio o intervalo. Antes da saída para o vestiário, os jogadores nigerianos se reuniram no meio do campo, em volta de Enyeama, ajoelhado. O ritual se repetiu no retorno para o segundo tempo.
Mas quem voltou a assustar foi a Argentina. Logo aos três minutos, Messi desviou um cruzamento com o pé esquerdo e quase marcou. O técnico sueco Lars Lagerback tirou Obinna e mandou a campo Martins, que era titular da equipe. Obasi também saiu e deu lugar a Odemwingie. As mudanças surtiram efeito, a Nigéria se engraçou, e a torcida veio junto, soprando as vuvuzelas com força.
A Argentina respondeu em dose dupla a partir dos 20 minutos. Primeiro, num contra-ataque de quatro contra dois, quando Messi recebeu passe de Tevez e bateu para fora. Logo depois, Higuaín chutou para mais uma defesa de Enyeama.
Taiwo assustou os hermanos com uma bomba de fora da área aos 26 minutos. A bola passou raspando a trave de Romero, e o nigeriano sentiu uma lesão na perna esquerda. O susto foi o sinal para Maradona chamar Maxi Rodriguez e lançá-lo no lugar de Verón. Diego Milito também foi a campo, substituindo Higuaín aos 32.
Martins ainda deu outro susto em Romero, com um chute forte frontal que o argentino rebateu. Mas a resposta de Messi foi imediata. O craque tabelou com Di Maria e saiu na cara de goleiro. Perdeu mais um round para Eyenama. Uche também desperdiçou cara a cara, e o jogo ficou aberto nos minutos finais.
Aos 41, Maradona recuou o time para garantir o resultado: Burdisso entrou no lugar de Di Maria. Messi ainda teve a última chance, em mais uma tabela bem tramada com Milito, mas o zagueiro chegou a tempo de colocar para escanteio. Sem problemas. Àquela altura, Maradona já olhava para seus dois relógios – um em cada pulso – e aguardava o fim do jogo. O técnico e seu craque já tinham feito o bastante para que a seleção ficasse bem na fotografia.
Fonte: Globoesporte.com
Polícia fechou o portão para evitar superlotação e iniciou conflito com os moradores vizinhos ao estádio. Um policial está internado em estado grave
Uma confusão antes do amistoso Nigéria x Coreia do Norte, neste domingo na cidade de Midrand, entre Joanesburgo e Pretória, na África do Sul, deixou pelo menos 20 feridos, sendo um em estado grave. A grande quantidade de público no estádio Makhulong, que teve os portões fechados para evitar superlotação, foi o motivo para o início do tumulto. A polícia entrou em confronto com os torcedores e muitos acabaram pisoteados.
Torcedores são pisoteados no jogo entre Coreia do Norte e Nigéria na África do Sul(Foto: AP)
O estádio fica na township (uma espécie de assentamento que teve origem na época do apartheid) Tembisa, um dos bairros pobres do município. Os ingressos foram distribuídos gratuitamente para a população local. Muitos deles vestiam a camisa da Nigéria. Os nigerianos formam a segunda maior colônia da África do Sul, atrás apenas dos zimbabuanos.
Com 200 policiais fazendo a segurança, o chefe da equipe mandou que os portões fossem fechados antes mesmo do início do jogo. O estádio tem capacidade para 12 mil pessoas. Porém, quando 8.500 já tinham entrado, o comando da polícia ordenou que ninguém mais ingressasse, temendo superlotação. Foi quando começou a confusão. No conflito, oficiais perderam suas armas, crianças foram pisoteadas, torcedores se desesperaram com o empurra-empurra.
Policial ferido é atendido por médicos na porta do estádio Makhulong, em Midrand (Foto: AP)
- Algumas pessoas já tinham retirado os ingressos antes. Mas várias pessoas da comunidade entraram na fila sem ter o bilhete na mão. Quando o estádio estava cheio, pedi para fechar os portões para evitar o pior. Quem organizou esse jogo não levou em conta o número de nigerianos que moram aqui – explicou Mveli Mhlafo, chefe de polícia metropolitana e responsável pela segurança do jogo.
Pelas informações oficiais, 20 pessoas ficaram feridas. O hospital de Tembisa confirmou o atendimento a 15 delas. Um policial ficou gravemente ferido, mas, segundo o chefe do comando, não corre risco de morte.
Apesar da justificativa de Mveli Mhlafo, a reportagem flagrou alguns policiais na bilheteria repassando ingressos de quem já tinha entrado para outras pessoas, gerando mais um motivo para a lotação.
Homem com o rosto machucado no confronto com policiais na África do Sul é encaminhado para hospital (Foto:AP)
- É um absurdo. Estou com ingresso na mão e não consegui entrar. Vi muita gente passar pela bilheteria sem ingresso na mão. Isso é um desrespeito. E falta menos de uma semana para começar a Copa do Mundo – disse um torcedor com a camisa da Nigéria.
Mesmo com toda a confusão, a partida entre Nigéria e Coreia do Norte acabou acontecendo, com vitória dos africanos por 3 a 1. Nos minutos finais, os portões foram abertos. A Copa começa na próxima sexta-feira, com o jogo África do Sul x México, no Soccer City, em Joanesburgo.
- Viemos aqui para nos divertir e saímos feridos. O que vão falar da África do Sul? – questionou e criticou uma moradora.
Mulher machucada chora depois da confusão no amistoso (Foto: Adilson Barros / Globoesporte.com)
Fonte: G1